Reencontro Peer

Aconteceu na sexta feira, 28/10/2016,  um reencontro Peer, uma reunião entre algumas gerações de participantes do Peer Leader para definir os próximos passos desse projeto educacional tão interessante. O projeto Peer Leader começou por volta de 1999 e passou por … Continuar lendo

​18° congresso nacional da União da Juventude Socialista – Canto a esperança de um mundo novo 

Foto: Cobertura Colaborativa 

O Sociologia de Salto Alto está de volta e com toda a força e alegria direto de um dos congressos mais importantes de políticas públicas e mobilização social de juventude do Brasil, o 18° Congresso Nacional da UJS. A união da juventude socialista é uma entidade que une jovens de esquerda de todo Brasil que estão interessados em mais do que o discurso político, que se interessam por fazer política de forma democrática, dando voz a todos os grupos sociais e atuando fortemente nas frentes de Educação, Feminista, LGBT, de Negros e Negras e em defesa das classes mais baixas. 

O congresso de 2016 vem com o tema “Canto a esperança de um mundo novo” para exaltar a alegria e força da juventude que ocupou escolas por pautas educacionais e que vem tomando a linha de frente na luta contra o golpe político. A magia não só desse congresso, mas desses jovens, é a capacidade de lutar por pautas muito sérias e de fazer política com responsabilidade e com o sorriso no rosto, de fazer a luta ser divertida e includente, com um humor cada vez mais livre de preconceitos, machismo, lgbtfobia e qualquer forma de opressão. 

Ontem (sexta, 29/06/2016) , no segundo dia de congresso, aconteceu um ato político  com a presença de importantes lideranças de esquerda como o presidente nacional da UJS Renan Macaxeira, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a vice-prefeita e secretaria municipal de educação Nadja Campeão, a Presidenta nacional do PCdoB Luciana Santos, a Presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes) Carina Vitral, o ex senador Eduardo Suplicy, o deputado Orlando Silva e Lula, ex-presidente  da República. As falas lembraram a importância da UJS na construção de políticas públicas de educação como o Prouni e o Reuni, a importância do movimento estudantil na construção da constituição de 1988 e do período democrático que se seguiu e está atualmente sendo ameaçado. O ex presidente Lula fez uma convocação aos jovens brasileiros para que tomem os espaços políticos e reclamem seu direito à voz ativa, fazendo graça quanto à sua idade e lembrando que nós, jovens, somos os únicos que conhecemos as reais necessidades da juventude, não cabendo a “velhos políticos” e conservadores tomarem decisões por nós. 

Lula também falou sobre esses novos comunismo e socialismo que são as vertentes da UJS, um comunismo que superou sua fase violenta e agressiva e hoje luta por um mundo de aceitação e respeito, onde todas as pessoas sejam livres para ser como desejam e ninguém sofra violência ou opressão por não se enquadrar ao padrão, estético, sexual, comportamental e étnico.

Com esse objetivo a estratégia é festejar a diversidade, empoderar pelo amor próprio e ao próximo e exigir respeito. Para isso a UJS se divide e ocupa espaços nas entidades de representação dos estudantes e em diversos movimentos sociais, levando ações e debates e buscando cada vez mais dar os espaços de poder político para a população que mais necessita.

Peppa Pig  e nós – Uma relação conturbada 

   
A um tempinho fui convidada pela Eliana Lee, redatora do site Tela Kids para dar uma entrevista falando da minha visão de mãe sobre o desenho Peppa Pig. Na verdade ela fez um chamado no Twitter e eu respondi na hora, pois acho o desenho um assunto delicado, que já foi bastante debatido aqui em casa e que talvez eu pudesse contribuir, e ela (fofa) aceitou e escreveu um ótimo artigo sobre o assunto. 

Como contei para a Eliana, há quase um ano começou a febre de Peppa aqui em casa, o Bê assistia várias vezes por dia, ficava atraído por tudo que fosse da Peppa e no começo eu até achava engraçadinho, bonitinho, brincava com ele, comprei até os personagens, um boneco do George e um da Peppa.

Mas essa febre trouxe efeitos colaterais, o comportamento do Bernardo foi mudando, houve um retrocesso em processos de aceitação, ele voltou a chorar a cada não que recebia, fazia birras irracionais e o que foi mais grave, fazia insultos como “não sei quem é bobo”, “não sei quem é burro” se referindo muitas vezes a mim e ao meu marido, mostrando falta de noção de autoridade e respeito, mentia como por exemplo falando “não fui eu” para coisas que tinha feito. Ainda por cima ria de tudo isso. Eu não reconhecia meu filho, fiz várias pesquisas sobre comportamento, fases, situação psicológica da criança e nada explicava. Procurei então de onde ele estava imitando aquele modelo de comportamento, quando um dia, assistindo a Peppa percebi ela chamando o pai de “bobinho” achando graça e sem nenhuma repreensão. O Bernardo, alguns dias antes tinha feito a mesma coisa, havia se referido ao meu marido com a mesma frase usada pela porquinha, mas ao contrário do desenho, aqui em casa ninguém achou graça e o Bê ficou uns minutos em seu cantinho de pensar até se desculpar com a família e entender que não é aceitável ofender ninguém, muito menos pai e mãe. 

Comecei cada vez mais a prestar atenção no desenho e estava tudo ali, todo o comportamento “descompassado” do Bernardo refletido nos personagens George e Peppa. Minha primeira reação foi cortar “vou proibir ele de assistir o desenho”, mas sério? Isso só iria atiçar mais a curiosidade de uma criança, precisava de uma estratégia. Então coloquei o desenhopara assistirmos juntos e fui apontando para ele todos os aspectos que eu considero ruins, mas não como forma de imposição, mas de questionamento. Usei frases como “filho, o Geoge tá chorando por que não quer esperar a vez dele na fila do brinquedo. Você acha que ele precisa chorar? Como é a fila dos brinquedos na sua escola? Alguém chora?” Obviamente a resposta foi não, que na escola cada um espera a sua vez, então não existe motivo para o George chorar. Ao final tive uma bela conversa com ele, explicando que as principais coisas que ele precisa aprender são os exemplos de casa, as coisas que nossa família diz, respeita e acredita, expliquei que o que a gente vê na televisão é apenas distração, que antes de copiarmos atitudes, frases e ações devemos pensar se está de acordo com as orientações que ele recebe de nós, com o que ele acha certo.

A estratégia tinha tudo para dar certo, então diminui sim a quantidade de vezes em que ele assiste o desenho, mas aproveito as poças vezes que ele assiste para ativar nele o senso crítico, rapidamente ele entendeu e passou a aplicar, hoje em dia já aponta sozinho problemas, conflitos e situações que vão contra as informações que ele aprende, faz comentários como “olha mamãe, a Peppa desobedeceu a mamãe dela, não pode né?” E até aplicado a outros desenhos e situações, como se referindo aos desenhos de super heróis, esses dias mesmo ele fez uma observação interessantíssima dizendo “Mamãe, se o herói briga e mata o homem mau, é porque ele também é mau, herói bonzinho de verdade só prende e deixa o homem mau de castigo pra não virar mau também, né?!” Eu tive que concordar. 

Esse processo todo aconteceu durante o último ano, e confesso que agora me sinto muito mais segura para ver coisas que eu gosto na presença dele, como filmes, novelas e séries. Ele interrompe esses programas para fazer observações sobre comportamentos dos personagens que ele considera “feios” e “errados” como brigar, matar, ofender e etc… Aproveitei um desenho polêmico para ativar no meu filho, uma criança de 4 anos, o senso crítico, importante conceito que até muitos adultos hoje em dia esquecem. Foi uma estratégia alternativa que deu certo. 

Quer ler o texto ótimo da Eliana sobre o assunto? Entre aqui: 

http://www.telakids.com/quem-explica-o-sucesso-de-peppa-pig/

Sou mãe e apoio a legalização do aborto

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Essa semana a notícia mais polêmica foi a fala do atual Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Esse deixou claro que projetos sobre a legalização do aborto só serão votados “por cima de seu cadáver”. Ao mesmo tempo, os vários grupos sobre maternidade que eu participo foram bombardeados de fotos de gestantes em uma campanha contra o aborto, mulheres se dizendo a favor da vida e fazendo comentários preconceituosos e violentos, desejando a morte das suas semelhantes que abortam.
Eu sou mãe, amei meu bebê desde o primeiro instante e não cogitei a opção aborto, mas minha família foi clara, se essa fosse a minha decisão (só minha) sairíamos do pais e procuraríamos a forma menos prejudicial de realizá-lo, sem tabus. Porém me coloco no meu lugar de mulher de classe média, branca e de família “moderna”, sei bem da minha situação privilegiada e que infelizmente não é assim com todo mundo, não é assim com a maioria.
As mulheres que abortam são mulheres assim como eu, são irmãs de luta e não monstros como pinta a sociedade. As mulheres que abortam tem cada uma sua própria história, são mulheres religiosas, que já são mães ou pretendem ser em outro momento, são mulheres que sofrem violência física, verbal, emocional e/ou financeira por parte de seus companheiros, são mulheres que sabem que só elas podem decidir o que é melhor para elas, se é ou não o momento de ser mãe, são mulheres que carregam essa memória traumática pela vida toda. Essas mulheres são uma entre cada cinco brasileiras.
Eu me solidarizo a essas minhas irmãs, eu como mãe sei que filho não é brincadeira e tem que ser levado muito a sério, se você não está preparada para isso, não tenha. O feto em idade gestacional correta que é abortado esta livre de sensações, sentimentos e funcionamento cerebral, diferente de um bebê que é abandonado, de uma criança que sofre maus tratos.
Atualmente o Brasil realiza abortos, cerca de um milhão deles por ano, porém na ilegalidade. A questão não é poder ou não abortar, as brasileiras abortam sim, desde sempre pois as índias já controlavam muito bem sua relação com a concepção através de ervas e rituais. A situação do aborto ilegal já penaliza quem procura esse tipo de atendimento, o aborto mal feito é a quinta causa de morte materna no país.
Essas mortes são consequência da precariedade das clínicas clandestinas, onde o serviço não é profissional, a higiene é baixa e a estrutura não existe. Os valores cobrados por esse tipo de serviço também são absurdos, assim a mulher que “demora” para juntar o dinheiro passa da idade gestacional adequada, correndo maiores riscos. A legalização e o atendimento médico público para o aborto são assuntos de extrema importância para que sejamos realmente a favor da vida, da vida das mulheres, da qualidade de vida das crianças.
Ser mãe é um direito e não uma obrigação e se for preciso senhor Eduardo Cunha, passaremos por cima do seu cadáver para que o senhor e seus semelhantes parem de pisotear o cadáver de tantas mulheres vítimas da ilegalidade do aborto.