Capitão Bernardo – A Festa

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Prometi que voltaria para falar da festa desse ano e aqui estou eu!

Esse ano o orçamento foi bem baixo, não cheguei a gastar 1000 reais com as duas festas, e sim, sai mais barato fazer duas pequenas sendo uma para a parte mais próxima da família e outra na escola para a turma dele do que uma grande para chamar todo mundo como fiz nas de 1 e 3.

A de casa foi na tarde de domingo, na sala do nosso apartamento com cerca de 25 pessoas e muito mais adultos do que crianças. O Bê ganhou vários presentes e adorou, ele não se importa em brincar com adultos e crianças mais velhas, muito menos quando todos estão dando atenção a ele hahaha

A da escola foi para ele e as outras 11 crianças da sala, teve baú de tesouros, fantasias de pirata, jogo de argolas e muita diversão. Levei as comidas já embaladinhas e separadas para facilitar, mas confesso que eles pouco comeram os salgados, já os doces……

Praticamente tudo na festa foi feito a mão, os famosos DIYs. Fizemos a parte de papelaria com arte, impressão, corte e montagem em parceria com o super vovô Ro, meu pai. Foram toppers, adesivos, imãs de geladeira, rótulo dos tubetes e bolhas de sabão, bandeirinha com nome, animais piratas e um cartaz com o personagem que criei. A decoração contou com alguns itens prontos da marca Cromus, como o barco de papel, as forminhas de doce em forma de baú e navio e as saias de cupcake, ainda na decoração usei alguns bichos de pelúcia vestidos como piratas. Também transformei algumas caixas de sapato em baús de tesouro com papelão mole, fita crepe e papel crepom que enchi daquelas moedas de chocolate e dadinhos prata e dourado.

O jogo de argolas também foi feito pelo vovô Rô, que adaptou uma moldura resgatada de caçamba, uma placa plástica e alguns cabides. Ficou lindo, foi a alegria da festa e agora enfeita e diverte nossa casa. Para a festa da escola quisemos colocar todas as crianças no clima, um baú de madeira antigo da minha mãe também entrou na dança acomodando os tesouros da festa. Dentro do baú estavam coletes, bandanas e tapa-olhos para todos feitos com TNT pelas lindas e prendadas Vovó Rô e Bisa Pinna, também haviam tubos de papelão (de papel toalha mesmo) usados pelas crianças como lunetas, alguns colares de “pérolas” e coroas, adesivos temáticos e tatuagens infantis. Tudo a vontade para as crianças.

As comidinhas também foram feitas em casa, trabalho da mamãe em parceria com a Vovó Ro e a Vovó Loba. Vale lembrar que gosto mesmo de delícias que fogem ao padrão coxinha, rissole e bolinha de queijo então por aqui tivemos: 2 tipos de torta salgada, barquinhas com pasta de queijo, sanduíchinhos naturais, batata chips e biscoitos de tapioca. E de docinhos: minis cupcakes, gelatina na casca de laranja (sucesso total), brigadeiros clássicos e deliciosos, salada de frutas, tubetes de jujuba, picolés e nossa querida banana pirata.

Além de todas as ajudas nós aqui de casa (mamãe, paidrasto e irmãozinho) trabalhamos muuuito, mas valeu a pena cada segundo e estresse. Foi perfeito e ano que vem tem tudo de novo!

Curtam as fotos 😉

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Quatro anos de amor

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Hoje é dia de festa, Bernardo faz quatro anos e só temos a agradecer a vida. São quatro anos de muitas aventuras, de muito amor e felicidade. São quatro anos também do meu renascimento, da nossa vida, quatro anos que meu coração se dividiu em dois e metade de mim se fez em outro corpo mais lindo e perfeito corpo que a natureza já foi capaz de criar. Ah quem pense eu eu cuido de você filho, mas a verdade é que você que cuida de mim, você que me guia e ainda ri da minha cara dizendo “mamãe atapaiada” quando faço bobagens. Te amo além de todas as coisas que possamos medir, além até do tamanho da nossa imaginação. Obrigada meu pequeno grande amor por todas as alegrias, pelo carinho e orgulho eu você me da. Sou a mãe mais feliz do mundo por ter você comigo. Quero todos os dias acordar com “boom dia mamãe” as 7h da madrugada, contar histórias para você dormir, te socorrer com beijos nos “dodóis” e abraços apertados, viajar em navios piratas, ser a mamãe robô ou fazer parte da Patrulha Canina. Parabéns meu pequeno príncipe, minha missão é te fazer a criança mais feliz de todos os planetas e te educar como uma pessoa de caráter e coração limpos e verdadeiros. Te desejo todo o amor do mundo Emoticon heart

Texto de 16 de Março de 2014

8 de março é dia de luta

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Ontem foi um oito de março muito estranho, fui tomada por um cansaço físico e psíquico  que me impediu de ir para a Marcha Mundial das mulheres, mas meu coração estava lá. Ao mesmo tempo fiquei em casa quieta e passei o dia refletindo com as diversas manifestações sobre o “dia das mulheres”. É assustador, essa foi a minha conclusão. 

Cada vez mais vemos um dia que foi dedicado a nossa luta se transformar em data comemorativa comercial e pior ainda, as “homenagens” feitas de forma machista e opressora ganham espaço e tentam abafar o que temos dizer. É assustador. Foram incontáveis os textos exaltando a delicadeza feminina, a beleza, o corpo, nossas habilidades como mães e donas de casa, como se isso fosse algum tipo de homenagem, bem de mal gosto, podemos dizer. É agressivo ver esse tipo de comentário vindo de homens, agora vindo de mulheres, eu repito, é assustador. 

Por traz dos parabéns recebidos estão os parabéns por sermos submissas, parabéns por agüentarmos caladas a violência diária, parabéns por desenvolver as tarefas domésticas como se isso fosse obrigação exclusiva, parabéns por se enquadrar a padrões, parabéns por continuar dando a eles a sensação de superioridade. Não obrigada, os seus parabéns para mim são algemas das quais eu preciso me libertar para sobreviver, todas nós precisamos. As flores que vocês comparam a nossa “beleza” seriam mais justas se usadas para homenagear as milhares de irmãs mortas por violência doméstica, abuso, aborto clandestino. Somos menos flores e mais espinhos. Esse dia é para elas, e para que nós não nos tornemos elas, para que nós sejamos capazes de sobreviver e continuar lutando. Esse dia é para lembrar a todos que por traz das estatísticas temos rostos, nomes e histórias. 

Um amor por festas infantis

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Eu aqui tão enlouquecida com os preparativos da festa de quatro anos (mas jáá??) do Bê que quase não tem dado tempo de produzir posts. E já que em casa o assunto é só esse, é justo aqui no blog ser também.

Eu sou festeira de carteirinha, amo planejar, produzir, colocar a mão na massa e principalmente curtir muito a festa pronta. Sou apaixonada por todos os tipos e temas de festas, mas confesso uma queda (ou abismo) pelas infantis. É tudo tão meigo *—*. E mais uma vez eu uso o filhote de desculpa para satisfazer minhas criancices e dar a ele as festas para as quais teoricamente eu “não tenho mais idade”. Gosto de fazer o máximo que posso a mão, personalizar e organizar tudo em detalhes. Nem sempre a verba disponível condiz com o que sonhamos, mas é tudo uma questão de adaptação, reciclagem e jogo de cintura.

Bom mesmo seria poder fazer festão todo ano, mas não dá. Por aqui fizemos festão de um ano, “Le Petit Bernardo”, foi tudo impecável, chamei a família inteira e gastei uma grana absurda. O Bê mesmo aproveitou naquelas, dormiu boa parte do tempo (no carrinho do lado da mesa do bolo, em exposição), não podia comer aqueles doces todos mas não ficou estressado e hoje em dia ele ama ver as fotos, valeu a pena!

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Nos dois aninhos dividi a festa em três, comemorei na escola na sexta, levei ele pra passar o sábado na Cidade da Criança, São Bernardo SP com uma parte da família e fizemos um bolo em casa no domingo com meus amigos e mais familiares.  Esse aniversário foi o tema que ele mais ama até hoje, Toy Story, e teve direito a tia vestida de elefante pra animar a criançada.

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Ano passado foi uma festa maravilhosa também, eu cuidei pessoalmente de toda a personalização, aluguei brinquedos, chamei os amiguinhos da escola e toda a família. Tivemos uma ótima surpresa, meu marido, “paidrasto” do Bê apareceu vestido de Mickey encantando a festa toda, realizando um sonho do pequeno e fazendo a mamãe chorar toda emocionada.

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Esse ano os piratas vem ai, estou planejando uma festa com gincana para a turma da escola e um bolo em casa, adorei fazer a personalização da festa, estou fazendo novamente. Também vou me empenhar para fazer um cardápio alternativo, com opções mais saudáveis. Faltam duas semanas, prometo um post com todos os detalhes da festa assim que acontecer.

Sou mãe e apoio a legalização do aborto

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Essa semana a notícia mais polêmica foi a fala do atual Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Esse deixou claro que projetos sobre a legalização do aborto só serão votados “por cima de seu cadáver”. Ao mesmo tempo, os vários grupos sobre maternidade que eu participo foram bombardeados de fotos de gestantes em uma campanha contra o aborto, mulheres se dizendo a favor da vida e fazendo comentários preconceituosos e violentos, desejando a morte das suas semelhantes que abortam.
Eu sou mãe, amei meu bebê desde o primeiro instante e não cogitei a opção aborto, mas minha família foi clara, se essa fosse a minha decisão (só minha) sairíamos do pais e procuraríamos a forma menos prejudicial de realizá-lo, sem tabus. Porém me coloco no meu lugar de mulher de classe média, branca e de família “moderna”, sei bem da minha situação privilegiada e que infelizmente não é assim com todo mundo, não é assim com a maioria.
As mulheres que abortam são mulheres assim como eu, são irmãs de luta e não monstros como pinta a sociedade. As mulheres que abortam tem cada uma sua própria história, são mulheres religiosas, que já são mães ou pretendem ser em outro momento, são mulheres que sofrem violência física, verbal, emocional e/ou financeira por parte de seus companheiros, são mulheres que sabem que só elas podem decidir o que é melhor para elas, se é ou não o momento de ser mãe, são mulheres que carregam essa memória traumática pela vida toda. Essas mulheres são uma entre cada cinco brasileiras.
Eu me solidarizo a essas minhas irmãs, eu como mãe sei que filho não é brincadeira e tem que ser levado muito a sério, se você não está preparada para isso, não tenha. O feto em idade gestacional correta que é abortado esta livre de sensações, sentimentos e funcionamento cerebral, diferente de um bebê que é abandonado, de uma criança que sofre maus tratos.
Atualmente o Brasil realiza abortos, cerca de um milhão deles por ano, porém na ilegalidade. A questão não é poder ou não abortar, as brasileiras abortam sim, desde sempre pois as índias já controlavam muito bem sua relação com a concepção através de ervas e rituais. A situação do aborto ilegal já penaliza quem procura esse tipo de atendimento, o aborto mal feito é a quinta causa de morte materna no país.
Essas mortes são consequência da precariedade das clínicas clandestinas, onde o serviço não é profissional, a higiene é baixa e a estrutura não existe. Os valores cobrados por esse tipo de serviço também são absurdos, assim a mulher que “demora” para juntar o dinheiro passa da idade gestacional adequada, correndo maiores riscos. A legalização e o atendimento médico público para o aborto são assuntos de extrema importância para que sejamos realmente a favor da vida, da vida das mulheres, da qualidade de vida das crianças.
Ser mãe é um direito e não uma obrigação e se for preciso senhor Eduardo Cunha, passaremos por cima do seu cadáver para que o senhor e seus semelhantes parem de pisotear o cadáver de tantas mulheres vítimas da ilegalidade do aborto.

Eu quero é botar meu bloco na rua…

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Hoje foi dia de folia, por aqui o clima de carnaval já começou e fomos ao primeiro bloco de rua do ano, o Acadêmicos do Baixo Augusta. Definitivamente é a minha programação carnavalesca favorita, principalmente com o Bê. Música, festa, pouco gasto e diversão garantida. Por incrível que (me) pareça encontramos poucas crianças nesse tipo de evento e a presença delas causa um estranhamento positivo, na maioria dos casos. Os pais tem medo de ocupar um espaço que é das crianças, fantasias, colorido, a magia do carnaval é para elas. Lógico que bagunça, bebidas e gente sem educação tem em todo lugar, mas ocupamos a rua para exigir respeito e ter nosso direito a diversão. Ano passado fomos ao Ilú Obá De Min e ao Espício Geral. Esse ano começamos mais cedo e tem bastante programação por vir.
O Bernardo curte bastante, ele já tem quase 4 aninhos, mas para a brincadeira não virar choro tomamos alguns cuidados extra nesse tipo de evento, segue listinha:
– Não abrimos mão da mochila de segurança, que alguns chamam de coleira. Três beijos para quem fala mal, usamos, aprovamos e amamos!
– Levamos sempre um kit emergência com roupa, toalinha e um brinquedo.
– Sempre levamos água, muita água.
– Atenção a horários, alterar drasticamente a rotina da criança nunca é uma boa idéia.
– Mantemos uma distância mínima da multidão, caso não tenha jeito ele vai para as costas do Tio Guá ❤
– O Bê comanda o horário, quando ele pede para ir embora ou começa a dar sinais de cansaço voltamos para casa.

Voltamos para casa sempre muito felizes com a experiência, como hoje. Por isso eu repito, vamos para a rua, ocupar o que é público, que é nosso e festejar com amor.

Nossa agenda:
Bloco Ilú Obá de Min
Dia 13/02/2015, 19h30
Local Vale do Anhangabaú, em baixo do Viaduto do Chá
O bloco é um resgate cultural Afro, conta com desfile de Orixás lindo de se ver e uma batucada envolvente.

Cordão Confraria do Pasmado
Dia 14/02/2015, 13h
Local Rua Padre Carvalho com Avenida Faria Lima
O Cordão surgiu com uma roda de samba dos alunos da USP e conta com clássicos de samba, axé e marchinhas.

Bloco Espício Geral
Dia 15/02/2015, 15h
Local Praça Rotary, Vila Buarque
O Bloco é formado por alunos e ex alunos da Escola de Sociologia e Política, com marchinhas tradicionais e exaltando a alegria e a diversidade cultural.

Bloco Agora Vai
Dia 17/02/2015, 16h
Local Rua Marta, Barra Funda
Reunindo crianças e apaixonados por carnaval, o bloco está desde 2004 ocupando o Minhocão toda terça de carnaval.

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Feminista sim senhora!

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O feminismo é um sentimento que nasceu comigo mas que me trouxe muitos conflitos internos antes de eu realmente me dedicar a estudar e entender sobre ele. Sempre tive a sensação de que havia algo errado em uma sociedade onde as mulheres mostram obediência aos homem sobre assuntos em que elas são as protagonistas. Nunca entendi a idéia de preservar o corpo, se esconder e ao mesmo tempo manter um padrão de beleza físico. A quem interessam essas regras? Não as mulheres. Nunca entendi por que as mulheres da minha família aceitavam humilhações, traições e desprezo em nome da aparência do casamento. Fui tratada como louca, como rebelde, adoravam dizer que “eu nunca iria conseguir um homem” como se isso fosse o ápice da vida de uma mulher. Na adolescência ser tratada como louca e a esquisita não faz bem pra ninguém, entendi que o problema era eu e tinha que me adaptar. Na mesma fase veio o primeiro namoro sério, minha primeira experiência direta com o machismo. A pressão para perder a virgindade, para estar bonita, cheguei a achar que o fim do mundo seria perdê-lo, mas ele nunca mostrou medo de me perder. Ele desfilava pela escola com a “melhor amiga” loira, magra e alta. Eu, gordinha, baixinha que não era nenhuma expert em truques de beleza resolvi virar o jogo. Embarquei em uma bulimia que evoluiu para anorexia, renovei meu guarda roupa com coisas da moda, justas e sexy. Aprendi a me maquiar, emagreci mais do que deveria, me fiz objeto de desejo da escola inteira, eles queriam estar comigo e elas queriam ser iguais a mim. Agora quem fazia bulling era eu. Até que de repente o machismo se inverteu e me atacou novamente, agora eu era a puta pelas roupas que usava, os caras achavam que poderiam fazer as piadas que bem intendessem em relação a mim e ouvia “você decidiu ficar assim, bonita, agora tem que aturar as consequências”. E o problema continuava sendo eu, que cada vez mais magra cheguei a tentar suicídio, queria desistir do mundo. No meio do sonho da carreira de atriz, pela qual eu me dediquei alguns anos na adolescência entendi que o papel principal é sempre de quem dorme com o diretor, ou faz ele pensar que isso irá acontecer. Os meus papéis eram sempre de “Lolita”, esbanjando apelo sexual. Tive alguns namorados, incrivelmente um mais machista que o outro e eu tentando me ajustar. Aos 17 veio a gravidez, eu por alguns instantes acreditei que estava caminhando para o mesmo destino da maioria das mulheres, casar, viver para cuidar da casa, do filho, do marido. Desisti de mim. Porém no final da gestação eu já entendia que não daria para ser assim, o meu então namorado com quem eu morava começou a ser pior do que eu poderia imaginar em uma mistura de falta de caráter, machismo e drogas sintéticas. Eu ficava presa, não podia falar para ninguém oque se passava enquanto ele se drogava dentro de casa durante minha gestação, fui afastada dos meus amigos e convencida de que essa era a única opção que eu tinha. No meio desse loucura fui convencida pelo GO que eu não seria capaz de parir, era muito nova, muito pequena, ele inventou milhões de desculpas e eu sai de lá me sentindo o pior ser humano, incapaz de dar a luz ao meu filho. Me fizeram uma cesárea desnecessária e ainda tentaram me convencer que eu não conseguiria amamentar.
E antes que a violência doméstica se tornasse física meu filho nasceu, nasceu com ele uma leoa dentro de mim. Essa veio cheia de dúvidas e revoltas mas me trouxe coragem e curiosidade para entender a situação que eu vivia.
Criei coragem e gritei pro mundo que sim, eu dou conta de criar meu filho sozinha! Me separei, ouvi todos os absurdos possíveis. 18 anos, um bebê no colo e muita coragem, era tudo que eu tinha. O apoio dos meus pais foi fundamental, mas sempre junto com muita cobrança. Decidi não voltar para a casa dos meus pais, seriamos eu e bebê cuidando um do outro. No centro de São Paulo quando você é mãe solteira e jovem automaticamente é taxada mais uma vez de prostituta. Ai a leoa atacou novamente, eu descobri e me vi no feminismo. O corpo é meu, a casa é minha, o filho é meu, as contas são pagas por mim, ou seja ninguém que não viva exatamente o que eu vivo tem o direito de julgar. Tomei essa lição pra vida, mudei minha atitude e abri os olhos, será que tudo isso aconteceu só comigo? E a resposta é não, não mesmo. Sorte tive eu de passar por tudo e manter a vida, mas infelizmente essa não é a realidade de todas. É absurda a forma como os outros tomam conta das nossas atitudes de forma ignorante, padronizada. O machismo mata milhares de mulheres das formas mais abrangentes, a sensação de posse sobre a mulher leva a índices assustadores de violência, mulheres vivem em cárceres privados, tem suas roupas censuradas, são violentadas verbalmente inúmeras vezes em um único dia, são julgadas o tempo todo, até a constituição nos diz o que fazer ou não com nosso próprio corpo. O que me difere dessas mulheres? Nada! Somos todas irmãs, passamos todas pelo mesmo tipo de violência de gênero e só temos umas as outras para nos defender.
Às mulheres machistas falta o senso de sororidade, falta talvez entender que aquilo a que ela é submetida contra sua vontade é sim uma violência, não é normal e tem saída.
Eu só serei uma mulher livre quando todas as minhas irmãs também forem livres!

Expectativas para 2015

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Adoro listas, mas as expectativas para 2015 não caberiam em uma, são detalhadas, específicas demais. O ano já começou diferente, um réveillon na paulista inédito, vamos combinar que para uma paulistana convicta isso é raro. Estranhei trocar de ano sem ter os pés na areia, mas sinto firme os pés no chão.
Posso começar pela alegria do primeiro estágio, que surgiu em janeiro pra me mostrar que 2015 vem com muito trabalho e realizações. Trabalho desde de os 13 anos, fui aprendiz no escritório da minha mãe e até hoje faço freelas de produção de conteúdo para web. Completamente fora do que aprendi, decidi fazer faculdade de Sociologia e Política, gosto do lado mais humano das coisas. Agora o destino resolveu unir meus paralelos, fui convocada para um estágio no projeto Telecentros, da prefeitura de São Paulo. Trabalhar com tecnologia, educação, inclusão social/digital ao mesmo tempo vai ser um desafio cheio de alegrias e aprendizado. Além disso, profissionalmente falando, vem aí logo logo um projeto novo que estamos desenvolvendo lá em casa, esse sim vai unir tecnologia e ação social de uma forma inédita que trará muitos resultados.
Na faculdade 2015 também promete ser um ano bem intenso, o ultimo! É ano de TCC, onde eu pretendo entender a educação lúdica aplicada na primeira infância e seus resultados no futuro adulto em sociedade, ainda está confuso mas conforme o andamento vai ser mais fácil e necessário criar posts sobre esse assunto.
O blog é meu novo-antigo amor, já tive outros, faz um certo tempo que criei esse mas resolvi acreditar e me dedicar a ele. Pretendo fazer a princípio um post por semana, criar uma rotina, mas só quem é DDA sabe a dificuldade em estabelece-las. É um foco, quero ver ele funcionando, sinto que tenho muito para falar sobre tudo que amo, prometo posts interessantes, com embasamento e frutos de bastante estudo e dedicação.
Pessoalmente vem mais um turbilhão de missões para o ano, organizar meu casamento que acontecerá em 2016, cuidar da família, garantir que minha casa conte sendo um local de muitos encontros, comemorações e alegrias, estudar muito e ter finalmente meu diploma em mãos e sempre, sempre buscar ser uma mãe melhor!

Para meus leitores queridos eu desejo um ano de muito amor e realizações!

Análise da cidade de São Paulo sob a perspectiva do autor Robert Park no artigo “A cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano no meio urbano”.

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A cidade de São Paulo é amplamente reconhecida como exemplo do conceito de metrópole. Com mais de 11 milhões de habitantes é visualmente perceptível que temos origens diversas e somos fruto da união cultural. Na presente análise me dedico a observar e comentar a relação do espaço físico da cidade com as diferentes formas culturais urbanas que são ao mesmo tempo consequência e causa mútua. Faço isso a partir do entendimento do texto de Robert Park “A Cidade: Sugestões Para a Investigação do Comportamento Humano no Meio Urbano” e suas indicações pela Ecologia Humana.

“Existem forças atuando dentro dos limites da comunidade urbana (…) que tendem a ocasionar um agrupamento típico e ordenado de sua população e instituições” (PARK, pg 30)

Robert Park afirma que a organização da cidade está diretamente relacionada a estrutura física e a ordem moral. A geografia citadina facilita ou dificulta a mobilidade da população pela área urbana e o fator econômico desenha fronteiras por suas necessidades e interesses, ultrapassando limites morais e a relação de vizinhança. Em São Paulo ilustro essa questão iniciando com a divisão de bairros por colônias que historicamente surgem da relação pessoal de familiaridade , reconhecimentos de costumes, língua e solidariedade que caracterizam o conceito de vizinhança, relações de afeto que formam comunidades dentro do espaço da cidade. O comércio se estabelece próximo as colônias mais ricas, a indústria próximo as que apresentam melhor potencial de operários, ao mesmo tempo temos a movimentação citadina que permite que o mesmo movimento seja realizado ao contrário em alguns casos, como o operário que deixa sua comunidade de origem para se estabelecer nas proximidades da indústria, assimilando pela convivência algumas características de sua nova comunidade. Pelo mesmo movimento as comunidades que não se adequarem ao novo perfil econômico daquele bairro serão afastadas para a periferia através de aumentos dos valores imobiliários de compra e aluguel. O centro econômico de São Paulo atualmente se trata de uma área quase exclusivamente comercial e financeira, onde os valores para moradia são acessíveis apenas para as classes mais altas, os valores vão diminuindo conforme a localização da moradia vá se afastando desse centro. Curiosamente esse processo se reflete em praticamente todos os bairros da cidade, onde existe uma aglomeração comercial e o valor da moradia siga na mesma direção.
Segundo a colocação de Park podemos considerar que os bairros se tratem de vários mundos e o homem citadino viva se transportando entre eles, além da questão geográfica esses mundos são relacionados a afinidades de trabalho, lazer, sentimento, conveniência. O Paulistano que trabalha na República, mora na Lapa, se diverte na Vila Madalena e cresceu no Butantã, por exemplo, transita geográfica e emocionalmente através desses mundos onde ele encontra relações pessoais de algum nível. Ao mesmo tempo comunidades segregadas não encontram espaço em outro mundo citadino se não o seu, a exemplo da população boliviana que se concentra na região do Brás e do Pari, onde trabalham, estudam, tem seu lazer e possuem laços afetivos com outros imigrantes de origem próxima e que sofrem as mesmas dificuldades na relação com a vida urbana além do seu bairro. Nessas comunidades o conceito de vizinhança ainda se mostra forte perante a individualidade urbana.
Quando trato de individualidade urbana é possível incluir fatores sociais, mas ela surge da questão econômica. São Paulo se move através do mercado financeiro, esse que cria diversas possibilidades de emprego, sendo essa a forma que a população enxerga sua ascensão. O mercado de trabalho é específico e busca pessoas qualificadas para cada cargo, que mostrem vocação e desempenhem seu papel com êxito. Porém Robert Park nos alerta sobre essa vocação como um fator social, somos educados para desempenhar as responsabilidades que nossa família e círculo social nos impõe. Assim a ascensão é dificultada, uma corrida onde os participantes partem de pontos diversos em busca da mesma linha de chegada, tornando a disputa injusta. A divisão do trabalho substitui grupos sociais por tipos vocacionais, como o porteiro, o engenheiro, o mecânico. Moldando assim o caráter do trabalhador que se concentra em uma tarefa específica para alcançar o próprio sucesso, se tornando interdependente de outros tipos vocacionais para isso. O vendedor de pastel para ter sucesso precisa ter contato com produtores de carne e queijo, e vice versa, assim a relação de interesse comercial acaba dominando as relações pessoais.
Pude também compreender nitidamente a relação da cidade grande e do conceito de crise apresentado por Park através da cidade de São Paulo. A cidade viva, um de seus tantos apelidos é o retrato do caos pela multidão, informações de todos os tipos surgem incessantemente e a população vive um estado de alerta constante para os mais diversos “momentos psicológicos” que podem com a mesma facilidade serem manipulados ou controlados, dando as relações citadinas o estado crônico de crise.

A crise é tratada por Park como a possibilidade de três mudanças: adaptação, eficiência reduzida e morte. Acredito que na cidade de São Paulo a crise seja a necessidade constante de adaptação, reduzindo a eficiência de mudanças e causando morte (muitas vezes o que a antropologia chama de morte social) dos não adaptados.
Outro grande reconhecimento da cidade de São Paulo é a oferta de atrações culturais, artísticas e a vida noturna. Assim como os vícios o entretenimento urbano é considerado por Robert Park como um meio de explorar instintos fundamentais da natureza humana, ou de controle, através da comercialização do vício. A mobilidade urbana permite que diferentes tipos de drogas circulem por São Paulo, como permite que moradores da zona leste freqüentem festas no centro ou moradores da zona oeste irem ao cinema na zona sul.
A cidade permite a sua população desviar da sua condição moral freqüentando outros “mundos” citadinos sem que seu aspecto moral seja questionado, dentro de um prédio com cerca de 100 apartamentos é possível viver anos sem conhecer aqueles que o cercam além do tradicional bom dia e boa noite de elevador, é possível ter um vizinho ladrão, um jornalista, um palhaço profissional e passar a vida sem desconfiar de nada disso. A individualidade urbana torna os círculos sociais específicos e fechados. Assim, o que sei do meu vizinho é o que julgo sobre sua aparência, a comunicação visual passa a ser mais forte do que as relações pessoais, tornando as frágeis e fúteis. Ao mesmo tempo sei muito sobre o amigo que vive do outro lado da cidade, tem origem diferente da minha mas com quem compartilho interesses em comum. A cidade possibilita que o indivíduo se reconheça em um círculo social divergente do seu de origem, incentiva esse reconhecimento baseado em aptidões pessoais e não de grupo e se alimenta da eterna busca de ascensão social.

Algumas verdades sobre a primeira semana de academia

Entrei na academia pela primeira vez na vida, e não apenas pra perguntar o preço. Pra quem me conhece sabe que essa idéia é meio estranha, sempre tive um receio absurdo e achava até ridículo, confesso que ainda acho muita coisa ridícula ali, mas da pra passar despercebido ou como piada.
Depois de muita (muita mesmo) insistência do marido que apresenta quadros de “geração saúde” quando a gente menos espera, eu topei o Pilates, pesquisei, achei legal, é mais que o exercício e blá, blá, blá. E fui, assim com medo, me sentindo um alienígena ali, com muita resistência, rindo de nervoso e sem soltar a mão do meu amor, me senti uma criança de 8 anos no primeiro dia de escola nova sendo que estudava em casa até ali.

A primeira aula de Pilates me mostrou alguns músculos que eu não fazia idéia que tinha, o professor não é daqueles que encostam e encontrei uma prima que não via a anos. Esse conjunto já fez sair dali me programando para voltar todos os dias a aula. E voltei no dia seguinte, eu estava mais solta, foi mais fácil e mais divertido, no fim da aula o professor anunciou uma aula experimental de Stiletto, que aconteceria no dia seguinte a noite. Há eu adorei, sabia do que se tratava e as palavras “salto alto” e “dança” fazem meus olhinhos brilharem. Cheguei em casa empolga pensando como poderia usar tudo isso a meu favor, o meu objetivo mesmo é me livrar de alguns remédios psiquiátricos que me acompanham a uns anos, e fato que chego em casa com outra animação depois da academia, então procurei uma aula para fazer perto da saída da faculdade e tentar usar essa animação na faxina domiciliar de todo dia. Achei uma aula de jump que se encaixava, mas só uma vez na semana, resolvi experimentar.

No dia seguinte fiz o Pilates em outro horário, com outro professor, outra turma e outro método, adorei mais uma vez e quis encaixar na tabela semanal os 2 tipos de aula. Segunda quarta e sexta Pilates de solo e terça e quarta com aparelhos. Além do que a aula de aparelhos me deu uma colega Trans. E meu sangue sociólogo tem muito o que conversar com ela! Prometo um post exclusivo para mostrar todo o meu amor, respeito e admiração por elas, mas outro dia.
A aula de Stiletto que aconteceu mais tarde foi sensacional, praticamente uma festa que fez surgir as divas dentro de nós.
Finalmente na sexta a aula de jump mudou meu humor, deu a disposição que eu queria.

Terminei minha primeira semana fitness na aula de Pilates solo e ali as dores apareceram, doeu lombar, doeu pernas, abdômen então….
Mas estou feliz, semana que vem estou lá novamente e como diz meu amor “foi mais fácil do que pensei você se empolgar e gostar da academia”.