Peppa Pig  e nós – Uma relação conturbada 

   
A um tempinho fui convidada pela Eliana Lee, redatora do site Tela Kids para dar uma entrevista falando da minha visão de mãe sobre o desenho Peppa Pig. Na verdade ela fez um chamado no Twitter e eu respondi na hora, pois acho o desenho um assunto delicado, que já foi bastante debatido aqui em casa e que talvez eu pudesse contribuir, e ela (fofa) aceitou e escreveu um ótimo artigo sobre o assunto. 

Como contei para a Eliana, há quase um ano começou a febre de Peppa aqui em casa, o Bê assistia várias vezes por dia, ficava atraído por tudo que fosse da Peppa e no começo eu até achava engraçadinho, bonitinho, brincava com ele, comprei até os personagens, um boneco do George e um da Peppa.

Mas essa febre trouxe efeitos colaterais, o comportamento do Bernardo foi mudando, houve um retrocesso em processos de aceitação, ele voltou a chorar a cada não que recebia, fazia birras irracionais e o que foi mais grave, fazia insultos como “não sei quem é bobo”, “não sei quem é burro” se referindo muitas vezes a mim e ao meu marido, mostrando falta de noção de autoridade e respeito, mentia como por exemplo falando “não fui eu” para coisas que tinha feito. Ainda por cima ria de tudo isso. Eu não reconhecia meu filho, fiz várias pesquisas sobre comportamento, fases, situação psicológica da criança e nada explicava. Procurei então de onde ele estava imitando aquele modelo de comportamento, quando um dia, assistindo a Peppa percebi ela chamando o pai de “bobinho” achando graça e sem nenhuma repreensão. O Bernardo, alguns dias antes tinha feito a mesma coisa, havia se referido ao meu marido com a mesma frase usada pela porquinha, mas ao contrário do desenho, aqui em casa ninguém achou graça e o Bê ficou uns minutos em seu cantinho de pensar até se desculpar com a família e entender que não é aceitável ofender ninguém, muito menos pai e mãe. 

Comecei cada vez mais a prestar atenção no desenho e estava tudo ali, todo o comportamento “descompassado” do Bernardo refletido nos personagens George e Peppa. Minha primeira reação foi cortar “vou proibir ele de assistir o desenho”, mas sério? Isso só iria atiçar mais a curiosidade de uma criança, precisava de uma estratégia. Então coloquei o desenhopara assistirmos juntos e fui apontando para ele todos os aspectos que eu considero ruins, mas não como forma de imposição, mas de questionamento. Usei frases como “filho, o Geoge tá chorando por que não quer esperar a vez dele na fila do brinquedo. Você acha que ele precisa chorar? Como é a fila dos brinquedos na sua escola? Alguém chora?” Obviamente a resposta foi não, que na escola cada um espera a sua vez, então não existe motivo para o George chorar. Ao final tive uma bela conversa com ele, explicando que as principais coisas que ele precisa aprender são os exemplos de casa, as coisas que nossa família diz, respeita e acredita, expliquei que o que a gente vê na televisão é apenas distração, que antes de copiarmos atitudes, frases e ações devemos pensar se está de acordo com as orientações que ele recebe de nós, com o que ele acha certo.

A estratégia tinha tudo para dar certo, então diminui sim a quantidade de vezes em que ele assiste o desenho, mas aproveito as poças vezes que ele assiste para ativar nele o senso crítico, rapidamente ele entendeu e passou a aplicar, hoje em dia já aponta sozinho problemas, conflitos e situações que vão contra as informações que ele aprende, faz comentários como “olha mamãe, a Peppa desobedeceu a mamãe dela, não pode né?” E até aplicado a outros desenhos e situações, como se referindo aos desenhos de super heróis, esses dias mesmo ele fez uma observação interessantíssima dizendo “Mamãe, se o herói briga e mata o homem mau, é porque ele também é mau, herói bonzinho de verdade só prende e deixa o homem mau de castigo pra não virar mau também, né?!” Eu tive que concordar. 

Esse processo todo aconteceu durante o último ano, e confesso que agora me sinto muito mais segura para ver coisas que eu gosto na presença dele, como filmes, novelas e séries. Ele interrompe esses programas para fazer observações sobre comportamentos dos personagens que ele considera “feios” e “errados” como brigar, matar, ofender e etc… Aproveitei um desenho polêmico para ativar no meu filho, uma criança de 4 anos, o senso crítico, importante conceito que até muitos adultos hoje em dia esquecem. Foi uma estratégia alternativa que deu certo. 

Quer ler o texto ótimo da Eliana sobre o assunto? Entre aqui: 

http://www.telakids.com/quem-explica-o-sucesso-de-peppa-pig/

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Domingo na Praça Pôr-do-Sol

  
Domingo foi um dia relax, fomos passar a tarde na Praça Pôr-do-sol, quem nunca né? Pois é, eu nunca tinha ido. Não é de hoje que ouço as pessoas falarem aqui em São Paulo dessa tal praça, até pessoas de outros locais soltam a frase “você é de São Paulo, então conhece a Pôr-do-sol.” Não pessoas, eu não conhecia, e mesmo tendo a sensação de ter sido a última paulistana a conhecer resolvi fazer um post para que desinformados como eu possam chegar até lá já sabendo mais ou menos como funciona.

Lógico que por não conhecer eu já tinha criado uma expectativa gigante e finalizado a paciência de todos por aqui falando sobre como eu queria conhecer a Pôr-do-sol. Mas finalmente, no feriado, nos organizamos para passar lá na tarde de domingo. E fomos, a princípio eu e Paulinha, a melhor amiga. O Guá, meu marido, trabalhou e encontrou com a gente lá.
Fomos de carro com um outro amigo, na base de wase por que ninguém conhecia o caminho e as ruas da Vila Madalena podem se transformar em um labirinto se o seu senso de direção falhar. De transporte público também não é tão fácil chegar, os ônibus não passam por ela, o que mantém um silêncio super agradável na praça e ao mesmo tempo faz você andar alguns minutos até um ponto de ônibus na Av. Pedroso de Moraes, ou muitos minutos até as estações Vila Madalena ou Faria Lima que estão a uma média de 2km da praça.
O clima é de paz total, chegamos cedo e o máximo de barulho que incomodava era um ou outro vendedor de água ou comidinhas caseiras como tortas, bolos e lanches naturais, mas nada grave. Quando chegamos a praça estava praticamente vazia, alguns casais e poucos grupos de amigos, uma mistura de galera alternativa com galera geração saúde. Conforme o tempo foi passando e a celebridade local, o “pôr-do-sol” foi se aproximando a praça encheu, e muuuito! Mas mesmo assim deu pra manter o clima de sossego, pouco barulho, alguns grupos de amigos com instrumentos faziam a trilha sonora enquanto todos tomavam, literalmente, seu lugar ao sol.
O Pôr-do-sol chegou e foi realmente lindo, uma vista dessas difíceis de encontrar em São Paulo, que valem a pena e deixam até os prédios harmoniosos. É de lavar a alma! Ficamos ali mais um pouco, curtindo o comecinho de noite e com certeza o dia seguinte, a temida segunda-feira, chegou bem melhor e mais leve.
Ah, para as leitoras mamães amigas, dessa vez o Bê não foi, estava no interior com a vovó, mas com certeza quero levá-lo lá também. Não existe muita estrutura, apenas um parquinho é muito espaço, então a minha sugestão é aproveitar para fazer um pic-nic, levando tudo prontinho de casa, toalhas, guardanapos e etc… Ah outra informação importante é que na rua de baixo tem uma padaria que permite o uso do banheiro! Hahaha

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4ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa – São Paulo

     
Semana passada aconteceu em São Paulo a 4ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, um evento muito importante para a definição de metas para as políticas públicas da cidade buscando a melhora da qualidade de vida dos idosos. Eu fui como representante da instituição onde faço estágio, mas fui mesmo com o projeto Primeiros Cliques no coração e a cabeça pronta para aprender tudo que fosse possível sobre essas pessoas tão especiais. 

A conferência aconteceu das 12h às 18h do dia 02/07/2015 e das 9h às 18h do dia 03/07/2015 no Palácio de Convenções Anhembi – Auditório Celso Furtado.

No primeiro dia foram separadas duas horas e meia para credenciamento, todos os presentes foram encaminhados à recepção para que os crachás fossem distribuídos. Esse foi o ponto mais crítico da conferência, a fila era grande, onde os idosos permaneciam em pé por mais de uma hora. Além disso muitos casos onde a inscrição feita previamente não constava e não permitia a emissão do crachá. Eu passei duas vezes pela fila, na primeira disseram que minha inscrição não estava sendo encontrada e que se sobrasse crachás fariam no final para mim e outros que também aguardavam mesmo com a inscrição prévia feita. Na segunda vez que fui atendida novamente disseram o mesmo, porém ai eu estava com um colega de trabalho que pode apresentar o seu crachá, com um cargo mais importante do que o meu de estagiária, fazendo com que nossas credenciais saíssem na hora.
A abertura foi iniciada pela apresentação do Coral do CRECI, algumas musicas até os estimados 900 participantes tomassem seus lugares. Na sequência foram chamadas as autoridades representantes para formar a mesa, Rubens Casado, presidente do Grande Conselho Municipal do Idoso, Henrique Rubens Jerozolimski, presidente do Conselho Estadual do Idoso, Guiomar Lopes, coordenadora municipal de Políticas para Idosos, Cristina Rezende, representando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Alexandre Padilha, secretário municipal de Relações Governamentais, Eduardo Suplicy, secretário municipal dos Direitos Humanos e Denise Motta Dau, secretaria municipal de Políticas Para Mulheres.
Após a execução do hino nacional a coordenadora Guiomar Lopes apresentou a conferência falando sobre as expectativas do evento e a importância da participação política ativa pelos idosos, também apresentou o tema da conferência “Protagonismo e Empoderamento da Pessoa Idosa – Por um Brasil de todas as idades” e os eixos que foram discutidos no dia seguinte. São eles: Eixo 1 – Gestão; Eixo 2 – Financiamento ; Eixo 3 – Participação política e social; e Eixo 4 – Direitos Humanos. Na sequência o Sr. Rubens Casado falou sobre a questão do empoderamento e protagonismo, sobre a necessidade de compreensão sobre as ações atuais e participação pública com embasamento e coerência, em sua opinião, para que haja um real empoderamento é preciso que os idosos estejam mais preocupados com a participação orçamentária e em trabalhar metas possíveis, passo a passo. Outro fator importante no discurso de Casado foi a relação de liberdade dos idosos, o protagonismo necessita que esse idoso seja livre, mesmo que necessitando de cuidados é preciso separar a ajuda da privação de liberdade. Henrique Jerosolimski discursou sobre algumas ações do conselho estadual dos idosos, Cristina Rezende pediu que os participantes da conferência pensassem em propostas que agregam o maior número de pessoas e lembrou a situação de extrema vulnerabilidade em que se encontram os idosos negros. Alexandre Padilha ressaltou a importância do envelhecimento ativo, defendendo as ações de humanização da cidade realizadas pela prefeitura para que os idosos estejam cada vez mais integrados à estrutura da cidade, Denise Dau trouxe à tona a questão feminina, apresentou dados que comprovam a maior longevidade das mulheres e também maior interesse das idosas pela participação política mesmo estando em sua maioria mais debilitadas do que os homens de idades semelhantes.Por fim o Presidente da mesa, Eduardo Suplicy considerou suas ações como secretário de Direitos Humanos para a melhor integração dos idosos com a cidade, declarando que seu gabinete está aberto para comissões e reivindicações, citando casos já acontecidos. Ao final da primeira tarde de Conferência foi votado o regimento para as discussões dos eixos, a votação foi confusa, os erros de organização exaltaram os ânimos e atrapalharam o andamento do processo.A principal reclamação foi a falta de eventos pré conferência para preparar esses idosos para as ações esperadas. 
No segundo dia o evento teve início às 9h da manhã com um café da manhã oferecido a todos os participantes, na sequência uma apresentação do coral e o encaminhamento para os eixos, grupos de trabalho. Cada eixo foi discutido em uma sala, porém quando o público chegou para o debate foram notados alguns erros de organização que incomodaram e muito os idosos, primeiramente não foi disponibilizado ao início do evento a pauta, o regulamento e todo o material informativo em papel, esse chegou quando as votações já tinham sido iniciadas. Na realidade ele não foi de muita utilidade para a discussão, mas transmitiu maior segurança aos participantes. Outro problema foi a falta de papel timbrado para que fossem encaminhadas propostas e monções. Mas o fator que causou maior revolta aos idosos e aparentemente também a coordenadora Guimar Lopes foi o material “implantado” pelo sindicato dos idosos, que fez uma doação de pastas com papel rascunho e canetas para o evento e sem comunicar a coordenadoria colocou dentro dessas pastas material informativo e fichas de filiação. Esses fatores fizeram com que o início das discussões dos eixos atrasassem por mais de uma hora, irritando ainda mais os idosos presentes.
A apresentação e votação de propostas dentro do eixo foi complexa, muitas propostas apresentadas, várias tratando dos mesmos assuntos, propostas regionais que não poderiam ser colocadas ali e falta de conhecimento sobre quais propostas já foram aceitas e foram encaminhadas, quais existem e estão sendo implantadas e as que não existem e podem ser recebidas. Somente no eixo Participação política e social foram votadas mais de 50 propostas e aprovadas 30.Com o fim das discussões por eixo os participantes foram encaminhados para o almoço e na sequência voltamos ao auditório principal onde foram lidas e votadas as moções, apresentadas e votadas as principais propostas que serão encaminhadas pelos delegados para a conferência nacional e votados os delegados da sociedade civil e poder público que irão representar a cidade na conferência nacional. Ao final foram aprovadas cerca de 90 propostas que ainda serão revisadas pois muitas tratam de assuntos muito parecidos, mesmo assim algumas propostas não foram votadas por exigências de organização do horário.
A conferência foi uma ótima experiência profissional, pude conversar com idosos envolvidos politicamente para os quais tive a oportunidade de falar sobre o Projeto Primeiros Cliques, esses foram muito receptivos, indicando a importância da conscientização e participação política e social dos idosos com a facilidade da internet. Pude observar outros pontos importantes que a inclusão digital pode auxiliar a vida na terceira idade, uma das reclamações é a dificuldade de falar e principalmente ouvir ao telefone que faz com que alguns idosos tenham que se locomover até os locais de atendimento para marcar suas atividades, fator que pode ser resolvido na maioria dos casos via internet. A indignação com o atendimento de empresas e serviços também é alvo de preocupação “não temos a quem recorrer, se soubéssemos usar a internet mostraríamos para todo mundo o que acontece com a gente”. São muitas as especificidades desse público, o que fortalece o desenvolvimento de um trabalho voltado para eles e também é muito grande a necessidade e a vontade de aprender.