Sou mãe e apoio a legalização do aborto

image

Essa semana a notícia mais polêmica foi a fala do atual Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Esse deixou claro que projetos sobre a legalização do aborto só serão votados “por cima de seu cadáver”. Ao mesmo tempo, os vários grupos sobre maternidade que eu participo foram bombardeados de fotos de gestantes em uma campanha contra o aborto, mulheres se dizendo a favor da vida e fazendo comentários preconceituosos e violentos, desejando a morte das suas semelhantes que abortam.
Eu sou mãe, amei meu bebê desde o primeiro instante e não cogitei a opção aborto, mas minha família foi clara, se essa fosse a minha decisão (só minha) sairíamos do pais e procuraríamos a forma menos prejudicial de realizá-lo, sem tabus. Porém me coloco no meu lugar de mulher de classe média, branca e de família “moderna”, sei bem da minha situação privilegiada e que infelizmente não é assim com todo mundo, não é assim com a maioria.
As mulheres que abortam são mulheres assim como eu, são irmãs de luta e não monstros como pinta a sociedade. As mulheres que abortam tem cada uma sua própria história, são mulheres religiosas, que já são mães ou pretendem ser em outro momento, são mulheres que sofrem violência física, verbal, emocional e/ou financeira por parte de seus companheiros, são mulheres que sabem que só elas podem decidir o que é melhor para elas, se é ou não o momento de ser mãe, são mulheres que carregam essa memória traumática pela vida toda. Essas mulheres são uma entre cada cinco brasileiras.
Eu me solidarizo a essas minhas irmãs, eu como mãe sei que filho não é brincadeira e tem que ser levado muito a sério, se você não está preparada para isso, não tenha. O feto em idade gestacional correta que é abortado esta livre de sensações, sentimentos e funcionamento cerebral, diferente de um bebê que é abandonado, de uma criança que sofre maus tratos.
Atualmente o Brasil realiza abortos, cerca de um milhão deles por ano, porém na ilegalidade. A questão não é poder ou não abortar, as brasileiras abortam sim, desde sempre pois as índias já controlavam muito bem sua relação com a concepção através de ervas e rituais. A situação do aborto ilegal já penaliza quem procura esse tipo de atendimento, o aborto mal feito é a quinta causa de morte materna no país.
Essas mortes são consequência da precariedade das clínicas clandestinas, onde o serviço não é profissional, a higiene é baixa e a estrutura não existe. Os valores cobrados por esse tipo de serviço também são absurdos, assim a mulher que “demora” para juntar o dinheiro passa da idade gestacional adequada, correndo maiores riscos. A legalização e o atendimento médico público para o aborto são assuntos de extrema importância para que sejamos realmente a favor da vida, da vida das mulheres, da qualidade de vida das crianças.
Ser mãe é um direito e não uma obrigação e se for preciso senhor Eduardo Cunha, passaremos por cima do seu cadáver para que o senhor e seus semelhantes parem de pisotear o cadáver de tantas mulheres vítimas da ilegalidade do aborto.

Anúncios

Eu quero é botar meu bloco na rua…

IMG_0749-0

Hoje foi dia de folia, por aqui o clima de carnaval já começou e fomos ao primeiro bloco de rua do ano, o Acadêmicos do Baixo Augusta. Definitivamente é a minha programação carnavalesca favorita, principalmente com o Bê. Música, festa, pouco gasto e diversão garantida. Por incrível que (me) pareça encontramos poucas crianças nesse tipo de evento e a presença delas causa um estranhamento positivo, na maioria dos casos. Os pais tem medo de ocupar um espaço que é das crianças, fantasias, colorido, a magia do carnaval é para elas. Lógico que bagunça, bebidas e gente sem educação tem em todo lugar, mas ocupamos a rua para exigir respeito e ter nosso direito a diversão. Ano passado fomos ao Ilú Obá De Min e ao Espício Geral. Esse ano começamos mais cedo e tem bastante programação por vir.
O Bernardo curte bastante, ele já tem quase 4 aninhos, mas para a brincadeira não virar choro tomamos alguns cuidados extra nesse tipo de evento, segue listinha:
– Não abrimos mão da mochila de segurança, que alguns chamam de coleira. Três beijos para quem fala mal, usamos, aprovamos e amamos!
– Levamos sempre um kit emergência com roupa, toalinha e um brinquedo.
– Sempre levamos água, muita água.
– Atenção a horários, alterar drasticamente a rotina da criança nunca é uma boa idéia.
– Mantemos uma distância mínima da multidão, caso não tenha jeito ele vai para as costas do Tio Guá ❤
– O Bê comanda o horário, quando ele pede para ir embora ou começa a dar sinais de cansaço voltamos para casa.

Voltamos para casa sempre muito felizes com a experiência, como hoje. Por isso eu repito, vamos para a rua, ocupar o que é público, que é nosso e festejar com amor.

Nossa agenda:
Bloco Ilú Obá de Min
Dia 13/02/2015, 19h30
Local Vale do Anhangabaú, em baixo do Viaduto do Chá
O bloco é um resgate cultural Afro, conta com desfile de Orixás lindo de se ver e uma batucada envolvente.

Cordão Confraria do Pasmado
Dia 14/02/2015, 13h
Local Rua Padre Carvalho com Avenida Faria Lima
O Cordão surgiu com uma roda de samba dos alunos da USP e conta com clássicos de samba, axé e marchinhas.

Bloco Espício Geral
Dia 15/02/2015, 15h
Local Praça Rotary, Vila Buarque
O Bloco é formado por alunos e ex alunos da Escola de Sociologia e Política, com marchinhas tradicionais e exaltando a alegria e a diversidade cultural.

Bloco Agora Vai
Dia 17/02/2015, 16h
Local Rua Marta, Barra Funda
Reunindo crianças e apaixonados por carnaval, o bloco está desde 2004 ocupando o Minhocão toda terça de carnaval.

IMG_0750-1