Reencontro Peer

Aconteceu na sexta feira, 28/10/2016,  um reencontro Peer, uma reunião entre algumas gerações de participantes do Peer Leader para definir os próximos passos desse projeto educacional tão interessante. O projeto Peer Leader começou por volta de 1999 e passou por … Continuar lendo

​18° congresso nacional da União da Juventude Socialista – Canto a esperança de um mundo novo 

Foto: Cobertura Colaborativa 

O Sociologia de Salto Alto está de volta e com toda a força e alegria direto de um dos congressos mais importantes de políticas públicas e mobilização social de juventude do Brasil, o 18° Congresso Nacional da UJS. A união da juventude socialista é uma entidade que une jovens de esquerda de todo Brasil que estão interessados em mais do que o discurso político, que se interessam por fazer política de forma democrática, dando voz a todos os grupos sociais e atuando fortemente nas frentes de Educação, Feminista, LGBT, de Negros e Negras e em defesa das classes mais baixas. 

O congresso de 2016 vem com o tema “Canto a esperança de um mundo novo” para exaltar a alegria e força da juventude que ocupou escolas por pautas educacionais e que vem tomando a linha de frente na luta contra o golpe político. A magia não só desse congresso, mas desses jovens, é a capacidade de lutar por pautas muito sérias e de fazer política com responsabilidade e com o sorriso no rosto, de fazer a luta ser divertida e includente, com um humor cada vez mais livre de preconceitos, machismo, lgbtfobia e qualquer forma de opressão. 

Ontem (sexta, 29/06/2016) , no segundo dia de congresso, aconteceu um ato político  com a presença de importantes lideranças de esquerda como o presidente nacional da UJS Renan Macaxeira, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a vice-prefeita e secretaria municipal de educação Nadja Campeão, a Presidenta nacional do PCdoB Luciana Santos, a Presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes) Carina Vitral, o ex senador Eduardo Suplicy, o deputado Orlando Silva e Lula, ex-presidente  da República. As falas lembraram a importância da UJS na construção de políticas públicas de educação como o Prouni e o Reuni, a importância do movimento estudantil na construção da constituição de 1988 e do período democrático que se seguiu e está atualmente sendo ameaçado. O ex presidente Lula fez uma convocação aos jovens brasileiros para que tomem os espaços políticos e reclamem seu direito à voz ativa, fazendo graça quanto à sua idade e lembrando que nós, jovens, somos os únicos que conhecemos as reais necessidades da juventude, não cabendo a “velhos políticos” e conservadores tomarem decisões por nós. 

Lula também falou sobre esses novos comunismo e socialismo que são as vertentes da UJS, um comunismo que superou sua fase violenta e agressiva e hoje luta por um mundo de aceitação e respeito, onde todas as pessoas sejam livres para ser como desejam e ninguém sofra violência ou opressão por não se enquadrar ao padrão, estético, sexual, comportamental e étnico.

Com esse objetivo a estratégia é festejar a diversidade, empoderar pelo amor próprio e ao próximo e exigir respeito. Para isso a UJS se divide e ocupa espaços nas entidades de representação dos estudantes e em diversos movimentos sociais, levando ações e debates e buscando cada vez mais dar os espaços de poder político para a população que mais necessita.

1° Seminário sobre a Política Municipal de Inclusão Digital 

 
Aconteceu na última sexta feira (21/8/2015) o Seminário sobre a Política Municipal de Inclusão Digital, promovido pela Coordenadoria de Conectividade e Convergência Digital, parte da Secretaria de Serviços da Cidade de São Paulo, com o intuito de debater atualizações para a Lei Municipal nº 14.668/2008 que institui a política de inclusão digital no município. A lei trata exclusivamente da criação de centros de democratização da rede mundial de computadores, os Telecentros. Atualmente a cidade já conta com mais de cem Telecentros, também mais de cem praças com acesso a Wi-Fi Livre e se prepara para receber 12 Laboratórios de Fabricação Digital, sendo necessária a atualização da lei.

A mesa foi comandada pelo Coordenador João Cassino, entre apresentações e debates passaram por ela o Secretário Municipal de Serviços Simão Pedro, a Vereadora Juliana Cardoso, o Vereador Police Neto, Drica Guzzi representante do Acessa São Paulo, Ciro Berdeman representando a presidência da SPTrans e o projeto MobiLab, Edgard Piccino representando a prefeitura de Bragança Paulista, Everton Zanella, do Open Knowledge, Livia Ascava, do LabHacker, Wildner Sanches, do Coletivo Digital e Izabel Valverde, do Open Suse. Apesar do evento ser aberto o público maior era de Agentes de Inclusão Digital da Prefeitura, os colaboradores dos Telecentros e convidados de outras secretarias.

Foi muito ressaltada durante o evento a importância dos atuais Telecentros como espaços de inclusão não só digital mas também social, porém considerada em vários momentos a necessidade de maior investimento em capacitação para que os Agentes de Inclusão Digital possam desenvolver um trabalho mais produtivo com esses usuários. Para isso foram comentados projetos em andamento na Coordenadoria, como a parceria com o programa Pronatec. Um dos focos principais, citado por quase todos os participantes das mesas, foi a produção da cultura digital que relacionada a uma nova política de inclusão digital na cidade de São Paulo pode ser abordada de incontáveis modos. Trata-se do uso da internet como meio para a produção de conhecimento e não como fim, ir além da preocupação básica com estrutura tecnológica e dar a real importância a abertura de horizontes provocada pelo encontro com a tecnologia. Democratizar a internet ensinando as pessoas a produzir conteúdo de qualidade, a se apropriarem dos ideias dos softwares livres, incentivando o trabalho social de pequenos coletivos como no Edital Redes e Ruas e explicando aos usuários o impacto que ações como essa produzem no meio político e econômico reais, para além das redes sociais. O foco agora é inclusão sociodigital.

O seminário também foi palco da assinatura do convênio para a montagem e ativação da Rede de Laboratórios de Fabricação Digital, os queridos FabLabs. O projeto trata de instalações de laboratórios com máquinas de corte a laser, impressoras 3d e outros aparelhos de última geração que além de promover cursos para que qualquer pessoa possa utilizar as máquinas também irá trabalhar com os alunos em projetos que beneficiem a comunidade onde está inserida. Os doze laboratórios estarão a princípio localizados em pontos estratégico da cidade, contemplando centro e periferia e tendem a se expandir. A empresa ITS Brasil, selecionada através de edital ficará responsável por questões de gestão e aplicação do conceito pedagógico, enquanto cabe à prefeitura disponibilizar os espaços e o maquinário.

Quanto a atualização da lei o projeto ainda será escrito baseando principalmente os tópicos levantados no seminário, depois seguirá seu processo burocrático por gabinetes, votação na Câmara dos Vereadores e segue para sanção do Prefeito Fernando Haddad. Se você perdeu o Seminário perdeu um ótimo evento, instrutivo e divertido, mas ainda pode colaborar com sugestões através do site http://debateinclusaodigital.com.br até o dia 21 de setembro. Por fim gostaria de parabenizar a linda quepe da CCCD pela realização do evento, tenho muito orgulho em fazer parte desse time que batalha com todas as forças para que a inclusão sociodigital seja mais que um sonho na cidade de São Paulo.

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Crucificação das Pessoas Trans


foto disponivel no Facebook da atriz

Durante a parada LGBT 2015 de São Paulo a linda atriz transsexual Viviany Beleboni encenou uma crucificação. Na época a situação gerou bastante polêmica, os religiosos atacaram considerando o ato um “desrespeito” a sua fé, vi milhares de pessoas criticando a situação como algo grotesco e pornografico. Eu estava lá porque adoro a festa e digo que Viviany estava linda, divando e mandando uma mensagem social fortíssima. Na época eu já defendi a encenação pois entendo que os transsexuais e homossexuais são crucificados todos os dias pelos pré-conceitos heteronormativos e pela “moral” religiosa. Se a história bíblica conta a crucificação de Jesus como um ato heroico, onde ele teria dado sua vida para proteger seus iguais, não entendo a diferença do ato realizado na Parada. O que eu vi na situação foi uma mulher se crucificando heroicamente, expondo sua intimidade, identidade e corpo para defender a vida de seus iguais, afinal o Brasil é o país que mais mata gays, lésbicas, travestis e transsexuais no mundo. Apenas em 2012 44% dos assassinatos por homofobia e transfobia do mundo aconteceram no Brasil. O número é assustador, mas seria ainda mais se todos os crimes fossem registrados corretamente, a polícia que deveria oferecer segurança a todos, sem distinção de raça, cor, gênero ou sexo, é um grande obstáculo. Além do registro desse tipo de homicídio ocorrer como homicídio comum sempre que possível, dificultando muito a obtenção de dados para análise, também existe a continuação da violência para aquela que foi violentada e sobreviveu. Os relatos de pessoas que procuraram a polícia costumam vir com tratamento pelo gênero de nascimento não pelo gênero de identificação, violência física e verbal, humilhação e culpabilização da vítima. É óbvio o que leva as pessoas que sofreram violência a fugirem da polícia, o medo de intensificação dessa violência.  

Aqui no centro de São Paulo eu tenho a sorte de conviver um pouco com essas mulheres tão especiais, falo mulheres por que realmente tenho mais contato com mulheres trans do que com homens trans, fazemos compras no mesmo mercado, frequentamos a mesma farmácia, nos cruzamos o tempo todo na rua e eu faço questão de puxar um assunto sempre que possível ou só expressar para elas o meu mais sincero sorriso de sororidade. Infelizmente também vejo de perto a violência com elas, como grande parte das pessoas olha torto, desvia, aponta e discrimina, cansei de ver que até aquelas que se submetem a prostituição são tratadas de forma diferente das garotas de programa cisgenero. As profissionais do sexo Cis entram nos carros de seus clientes, são exibidas pelos seus clientes e eles conversam e negociam valores abertamente, nota-se que os clientes não se incomodam de serem vistos com elas, agora, quanto as profissionais do sexo Trans a história é bem diferente, o contato com o cliente costuma ser distante, uma troca de olhares e sorrisos disfarçada, amedrontada, quando contratadas costumam andar a frente ou atrás de seus clientes, nunca lado a lado, já cheguei a ver clientes que combinam o local com a profissional e fazem caminhos diferentes. Tenho vontade de abraçá-las, levar para casa e dizer amiga, você não está sozinha, tenha orgulho de quem você é! 

Viviany não foi a primeira a usar imagens bíblicas como forma de protesto contra a violência oriunda dessa tal “moral” religiosa, outros artistas já fizeram coisas parecidas e os publicitários fazem bem mais, usam imagens bíblicas para vender qualquer coisa, afinal, ganhar dinheiro usando a fé das pessoas não é pecado, usar a imagem bíblica para lutar por justiça, respeito e vida, é pecado. É sério isso? Sim, infelizmente é muito sério. Tão sério que no último final de semana a atriz foi reconhecida próximo de sua casa e sofreu um atentado, foi atacada por alguém que portando uma faca dizia agir em nome de Deus, que Viviany pagaria pelo que fez. Por sorte Viviany conseguiu se desvencilhar do agressor e fugir, logo depois veio a público por sua página no facebook mostrando os hematomas e cortes que sofreu e dizendo que não iria a polícia para não sofrer mais violência, que iria se esconder em casa. 

Eu fico aqui me perguntando, quantas vezes Viviany foi crucificada? Se crucificou em seu ato, na Parada, na sequência foi crucificada por muitos, a ponto de precisar abrir um processo por danos morais contra o Pastor Marco Feliciano, e agora crucificada literalmente, agredida por ser ela mesma. Poderiam ser só essas crucificações, mas mesmo sem conhecer a história pessoal dessa moça que para mim é uma verdadeira heroína, acredito que tenham sido muitas mais as crucificações. 

Essa nota é uma nota de repudio a violência sofrida por Viviany e por todas as outras mulheres Trans, mulheres Cis e a comunidade LGBT, é uma nota de desabafo, de tristeza mas também de força. Essa nota, antes de qualquer coisa é um abraço para Viviany, uma declaração de apoio e de esperança para que ela não desista, não se cale e exiba por aí sua arte e seus protestos. Viviany, você é linda, talentosa e merece ser muito feliz. 

Escarlatina – Procurando bem, todo mundo tem….

  

Era um lindo final de semana de folga na praia, tudo tranquilo até sermos arrebatados por uma febre do Bernardo. Com um breve exame mãe-clínico constatei que o problema estava na garganta, um dia antes de viajarmos já havia percebido um pouco de vermelhidão forte na garganta, por isso mesmo mantive ele de camiseta na praia e nem fomos mergulhar, mesmo estando um sol lindo. Em menos de 24 horas a pequena vermelhidão se tornou grande e com bolhas brancas de infecção. Levei para casa, dei banho e antitérmico e enquanto ele dormia sob os cuidados do vovô, eu e vovó fomos à farmácia procurar antiinflamatório e mais antitérmico. Não, não sou a favor de medicar criança aleatoriamente, apenas dei os remédios que são normalmente indicados para início de inflamação na garganta pelos pediatras que ele já frequentou, nas mesmas dosagens. A febre cedeu, ele brincou a tarde toda mas ficamos em casa mesmo. Aquela noite foi de sono tranquilo, o Be acordou uma vez só para usar o banheiro (que mocinho!!). O dia seguinte amanheceu com chuva, deixando o Bê extremamente chateado, mesmo ele estando bem só conseguimos sair para uma caminhada na praia no fim da tarde e bem agasalhados. Naquela noite aconteceu a festa junina da praia em família, como a rua tem várias casas de familiares montamos fogueira e comes e bebes na rua mesmo e fazemos a maior festa, porém esse ano o Be se recusou a sair de casa, mesmo todo arrumadinho de caipira ele preferiu ficar brincando na sala, nós nos revezávamos para ficar com ele e aproveitar a festa, também não queria comer nada, apenas um bolo de morango o conquistou. 

A febre voltou, já tinha dado o horário então dei o antitérmico novamente, a febre abaixou e coloquei na cama, quando fui colocar o pijama percebi que ele estava muito vermelho, na virilha, no peito e nas costas, mas achei que fosse da febre e como estava baixando, iria passar. Como todos já estavam em casa e o Be dormindo, aproveitei para relaxar no silêncio lá fora um pouco com meu amor, mas não durou muito, logo recebi uma mensagem de que o Be tinha acordado novamente e eu corri para o que seria uma das noites mais angustiantes que passei com ele. A febre voltou com tudo e chegou a 38,7, ele delirava, se coçava todo, cada vez mais vermelho e eu em pânico, para não acordar ele e a casa inteira, eu e meu super companheiro que se mostra cada dia mais incrível em me apoiar e cuidar do Bê, optamos por não dar banho mas usamos panos molhados e muito carinho. Enquanto fazíamos isso procurei pelo plano de saúde algum local de atendimento 24 horas, nada, para correr ao médico eu teria que acordar meu país e subir a serra de madrugada e no desespero, mesmo minha mãe sendo a melhor motorista do mundo não achei que era uma boa ideia, mas era o que eu faria se a febre passasse de 39°. Medi a febre novamente e ela baixava muito lentamente, mas seguimos com paninhos. Confesso que nunca senti tanto medo, eu sabia que existia a chance de ele convulsionar e que eu não podia deixar isso acontecer, mas se acontecesse eu também não saberia o que fazer. Mas não aconteceu, mesmo lentamente a febre baixou para 37,5° lá pelas 4 da manhã, eu e Guá, exaustos e aliviados conseguimos cochilar um pouco. 

O Sol de domingo de manhã chamava para a praia, mas mesmo com o coração apertado por não saber quando vou tirar folga novamente convenci a todos para voltarmos ainda de manhã para São Paulo. O Be acordou de bom humor, porém com muita coceira e a vermelhidão havia se transformado em milhares de bolinhas pequenas, vermelhas e ásperas. Tomamos café, demos uma geral na casa e viemos de volta para a cidade grande, minha mãe nos deixou na porta do hospital infantil Sabará ainda era meio dia.

 Eu já tinha me preparado psicologicamente para ficar lá horas e horas, mas para a nossa surpresa foi tudo muito rápido. Entramos e ainda na sala de pré-atendimento as enfermeiras já deram prioridade “mãe, isso deve estar coçando muito, vou colocar como emergência” e subimos rapidamente para a sala de espera da pediatra, nem cinco minutos para o Be pintar o desenho, para a minha sorte ele estava de ótimo humor, e a médica já chamou. Indiquei a ela os sintomas, vermelhidão, coceira, febre alta, bolinhas, falta de apetite, ela examinou e rapidamente já teve certeza “é escarlatina” exclamou e eu no auge da minha ignorância sobre patologias fiz “hein? O que é isso?”. Então a pediatra me explicou que é uma das doenças consideradas infantis, como catapora, roséola, sarampo e etc, ela tem duas possibilidades para infectar a criança, é contagiosa até o início da medicação, ou pode aparecer como evolução da infecção de garganta. É uma infecção forte na garganta, que atinge a pele da criança com esse aspecto áspero, também incha um pouco a língua deixando as papilas ressaltadas. Não é uma doença grave porém ela tem facilidade em evoluir caso o tratamento não seja correto, pode virar pneumonia, meningite, febre reumática e outras doenças. 

A pediatra explicou que por ser uma doença bem característica e pelo Be apresentar todos os sintomas e nada além, não seria necessário o exame sanguíneo, a não ser que eu fizesse questão. Não fiz, se é desnecessário acho desnecessário também ficar mais uma hora lá expondo meu filhote já debilitado a outros problemas hospitalares. O tratamento indicado foi antiinflamatório, antialérgico e antibiótico, com a receita em mãos voltamos para casa. ‘Paidrasto’ saiu para comprar os remédios e passamos o resto do dia mimando o baixinho, ganhei folga do trabalho segunda e terça para cuidar dele também. Logo que iniciamos o tratamento os sintomas começaram a desaparecer, a febre foi a primeira a sumir, para nossa alegria, logo sumiu a vermelhidão, a garganta foi melhorando, as bolinhas diminuindo bem lentamente e amanhã acabam os 10 dias de tratamento. Nosso baixinho já está ótimo! 

O melhor amigo do Bernardo, com quem ele convive na escola, também teve o mesmo diagnóstico alguns dias depois, então acreditamos que tenha sido contagio mesmo, faz parte! Alertei as outras mães com quem tenho contato e também a direção da escola, acho importante até porque ano passado a escola inteira pegou catapora, que não seja assim com a escarlatina. 

Quando saímos do hospital o Be me perguntou se ele tinha a doença de bailarino, igual a música que ele dança no ballet. Saímos de lá cantarolando e a trilha sonora da nossa semana foi “Ciranda da Bailarina” de Chico Buarque. 🙂 

“Não livra ninguém,
Todo mundo tem remela,
Quando acorda às seis da matina.
Teve escarlatina, ou tem febre amarela,
Só a bailarina que não tem…”

Peppa Pig  e nós – Uma relação conturbada 

   
A um tempinho fui convidada pela Eliana Lee, redatora do site Tela Kids para dar uma entrevista falando da minha visão de mãe sobre o desenho Peppa Pig. Na verdade ela fez um chamado no Twitter e eu respondi na hora, pois acho o desenho um assunto delicado, que já foi bastante debatido aqui em casa e que talvez eu pudesse contribuir, e ela (fofa) aceitou e escreveu um ótimo artigo sobre o assunto. 

Como contei para a Eliana, há quase um ano começou a febre de Peppa aqui em casa, o Bê assistia várias vezes por dia, ficava atraído por tudo que fosse da Peppa e no começo eu até achava engraçadinho, bonitinho, brincava com ele, comprei até os personagens, um boneco do George e um da Peppa.

Mas essa febre trouxe efeitos colaterais, o comportamento do Bernardo foi mudando, houve um retrocesso em processos de aceitação, ele voltou a chorar a cada não que recebia, fazia birras irracionais e o que foi mais grave, fazia insultos como “não sei quem é bobo”, “não sei quem é burro” se referindo muitas vezes a mim e ao meu marido, mostrando falta de noção de autoridade e respeito, mentia como por exemplo falando “não fui eu” para coisas que tinha feito. Ainda por cima ria de tudo isso. Eu não reconhecia meu filho, fiz várias pesquisas sobre comportamento, fases, situação psicológica da criança e nada explicava. Procurei então de onde ele estava imitando aquele modelo de comportamento, quando um dia, assistindo a Peppa percebi ela chamando o pai de “bobinho” achando graça e sem nenhuma repreensão. O Bernardo, alguns dias antes tinha feito a mesma coisa, havia se referido ao meu marido com a mesma frase usada pela porquinha, mas ao contrário do desenho, aqui em casa ninguém achou graça e o Bê ficou uns minutos em seu cantinho de pensar até se desculpar com a família e entender que não é aceitável ofender ninguém, muito menos pai e mãe. 

Comecei cada vez mais a prestar atenção no desenho e estava tudo ali, todo o comportamento “descompassado” do Bernardo refletido nos personagens George e Peppa. Minha primeira reação foi cortar “vou proibir ele de assistir o desenho”, mas sério? Isso só iria atiçar mais a curiosidade de uma criança, precisava de uma estratégia. Então coloquei o desenhopara assistirmos juntos e fui apontando para ele todos os aspectos que eu considero ruins, mas não como forma de imposição, mas de questionamento. Usei frases como “filho, o Geoge tá chorando por que não quer esperar a vez dele na fila do brinquedo. Você acha que ele precisa chorar? Como é a fila dos brinquedos na sua escola? Alguém chora?” Obviamente a resposta foi não, que na escola cada um espera a sua vez, então não existe motivo para o George chorar. Ao final tive uma bela conversa com ele, explicando que as principais coisas que ele precisa aprender são os exemplos de casa, as coisas que nossa família diz, respeita e acredita, expliquei que o que a gente vê na televisão é apenas distração, que antes de copiarmos atitudes, frases e ações devemos pensar se está de acordo com as orientações que ele recebe de nós, com o que ele acha certo.

A estratégia tinha tudo para dar certo, então diminui sim a quantidade de vezes em que ele assiste o desenho, mas aproveito as poças vezes que ele assiste para ativar nele o senso crítico, rapidamente ele entendeu e passou a aplicar, hoje em dia já aponta sozinho problemas, conflitos e situações que vão contra as informações que ele aprende, faz comentários como “olha mamãe, a Peppa desobedeceu a mamãe dela, não pode né?” E até aplicado a outros desenhos e situações, como se referindo aos desenhos de super heróis, esses dias mesmo ele fez uma observação interessantíssima dizendo “Mamãe, se o herói briga e mata o homem mau, é porque ele também é mau, herói bonzinho de verdade só prende e deixa o homem mau de castigo pra não virar mau também, né?!” Eu tive que concordar. 

Esse processo todo aconteceu durante o último ano, e confesso que agora me sinto muito mais segura para ver coisas que eu gosto na presença dele, como filmes, novelas e séries. Ele interrompe esses programas para fazer observações sobre comportamentos dos personagens que ele considera “feios” e “errados” como brigar, matar, ofender e etc… Aproveitei um desenho polêmico para ativar no meu filho, uma criança de 4 anos, o senso crítico, importante conceito que até muitos adultos hoje em dia esquecem. Foi uma estratégia alternativa que deu certo. 

Quer ler o texto ótimo da Eliana sobre o assunto? Entre aqui: 

http://www.telakids.com/quem-explica-o-sucesso-de-peppa-pig/

Domingo na Praça Pôr-do-Sol

  
Domingo foi um dia relax, fomos passar a tarde na Praça Pôr-do-sol, quem nunca né? Pois é, eu nunca tinha ido. Não é de hoje que ouço as pessoas falarem aqui em São Paulo dessa tal praça, até pessoas de outros locais soltam a frase “você é de São Paulo, então conhece a Pôr-do-sol.” Não pessoas, eu não conhecia, e mesmo tendo a sensação de ter sido a última paulistana a conhecer resolvi fazer um post para que desinformados como eu possam chegar até lá já sabendo mais ou menos como funciona.

Lógico que por não conhecer eu já tinha criado uma expectativa gigante e finalizado a paciência de todos por aqui falando sobre como eu queria conhecer a Pôr-do-sol. Mas finalmente, no feriado, nos organizamos para passar lá na tarde de domingo. E fomos, a princípio eu e Paulinha, a melhor amiga. O Guá, meu marido, trabalhou e encontrou com a gente lá.
Fomos de carro com um outro amigo, na base de wase por que ninguém conhecia o caminho e as ruas da Vila Madalena podem se transformar em um labirinto se o seu senso de direção falhar. De transporte público também não é tão fácil chegar, os ônibus não passam por ela, o que mantém um silêncio super agradável na praça e ao mesmo tempo faz você andar alguns minutos até um ponto de ônibus na Av. Pedroso de Moraes, ou muitos minutos até as estações Vila Madalena ou Faria Lima que estão a uma média de 2km da praça.
O clima é de paz total, chegamos cedo e o máximo de barulho que incomodava era um ou outro vendedor de água ou comidinhas caseiras como tortas, bolos e lanches naturais, mas nada grave. Quando chegamos a praça estava praticamente vazia, alguns casais e poucos grupos de amigos, uma mistura de galera alternativa com galera geração saúde. Conforme o tempo foi passando e a celebridade local, o “pôr-do-sol” foi se aproximando a praça encheu, e muuuito! Mas mesmo assim deu pra manter o clima de sossego, pouco barulho, alguns grupos de amigos com instrumentos faziam a trilha sonora enquanto todos tomavam, literalmente, seu lugar ao sol.
O Pôr-do-sol chegou e foi realmente lindo, uma vista dessas difíceis de encontrar em São Paulo, que valem a pena e deixam até os prédios harmoniosos. É de lavar a alma! Ficamos ali mais um pouco, curtindo o comecinho de noite e com certeza o dia seguinte, a temida segunda-feira, chegou bem melhor e mais leve.
Ah, para as leitoras mamães amigas, dessa vez o Bê não foi, estava no interior com a vovó, mas com certeza quero levá-lo lá também. Não existe muita estrutura, apenas um parquinho é muito espaço, então a minha sugestão é aproveitar para fazer um pic-nic, levando tudo prontinho de casa, toalhas, guardanapos e etc… Ah outra informação importante é que na rua de baixo tem uma padaria que permite o uso do banheiro! Hahaha

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4ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa – São Paulo

     
Semana passada aconteceu em São Paulo a 4ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, um evento muito importante para a definição de metas para as políticas públicas da cidade buscando a melhora da qualidade de vida dos idosos. Eu fui como representante da instituição onde faço estágio, mas fui mesmo com o projeto Primeiros Cliques no coração e a cabeça pronta para aprender tudo que fosse possível sobre essas pessoas tão especiais. 

A conferência aconteceu das 12h às 18h do dia 02/07/2015 e das 9h às 18h do dia 03/07/2015 no Palácio de Convenções Anhembi – Auditório Celso Furtado.

No primeiro dia foram separadas duas horas e meia para credenciamento, todos os presentes foram encaminhados à recepção para que os crachás fossem distribuídos. Esse foi o ponto mais crítico da conferência, a fila era grande, onde os idosos permaneciam em pé por mais de uma hora. Além disso muitos casos onde a inscrição feita previamente não constava e não permitia a emissão do crachá. Eu passei duas vezes pela fila, na primeira disseram que minha inscrição não estava sendo encontrada e que se sobrasse crachás fariam no final para mim e outros que também aguardavam mesmo com a inscrição prévia feita. Na segunda vez que fui atendida novamente disseram o mesmo, porém ai eu estava com um colega de trabalho que pode apresentar o seu crachá, com um cargo mais importante do que o meu de estagiária, fazendo com que nossas credenciais saíssem na hora.
A abertura foi iniciada pela apresentação do Coral do CRECI, algumas musicas até os estimados 900 participantes tomassem seus lugares. Na sequência foram chamadas as autoridades representantes para formar a mesa, Rubens Casado, presidente do Grande Conselho Municipal do Idoso, Henrique Rubens Jerozolimski, presidente do Conselho Estadual do Idoso, Guiomar Lopes, coordenadora municipal de Políticas para Idosos, Cristina Rezende, representando a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Alexandre Padilha, secretário municipal de Relações Governamentais, Eduardo Suplicy, secretário municipal dos Direitos Humanos e Denise Motta Dau, secretaria municipal de Políticas Para Mulheres.
Após a execução do hino nacional a coordenadora Guiomar Lopes apresentou a conferência falando sobre as expectativas do evento e a importância da participação política ativa pelos idosos, também apresentou o tema da conferência “Protagonismo e Empoderamento da Pessoa Idosa – Por um Brasil de todas as idades” e os eixos que foram discutidos no dia seguinte. São eles: Eixo 1 – Gestão; Eixo 2 – Financiamento ; Eixo 3 – Participação política e social; e Eixo 4 – Direitos Humanos. Na sequência o Sr. Rubens Casado falou sobre a questão do empoderamento e protagonismo, sobre a necessidade de compreensão sobre as ações atuais e participação pública com embasamento e coerência, em sua opinião, para que haja um real empoderamento é preciso que os idosos estejam mais preocupados com a participação orçamentária e em trabalhar metas possíveis, passo a passo. Outro fator importante no discurso de Casado foi a relação de liberdade dos idosos, o protagonismo necessita que esse idoso seja livre, mesmo que necessitando de cuidados é preciso separar a ajuda da privação de liberdade. Henrique Jerosolimski discursou sobre algumas ações do conselho estadual dos idosos, Cristina Rezende pediu que os participantes da conferência pensassem em propostas que agregam o maior número de pessoas e lembrou a situação de extrema vulnerabilidade em que se encontram os idosos negros. Alexandre Padilha ressaltou a importância do envelhecimento ativo, defendendo as ações de humanização da cidade realizadas pela prefeitura para que os idosos estejam cada vez mais integrados à estrutura da cidade, Denise Dau trouxe à tona a questão feminina, apresentou dados que comprovam a maior longevidade das mulheres e também maior interesse das idosas pela participação política mesmo estando em sua maioria mais debilitadas do que os homens de idades semelhantes.Por fim o Presidente da mesa, Eduardo Suplicy considerou suas ações como secretário de Direitos Humanos para a melhor integração dos idosos com a cidade, declarando que seu gabinete está aberto para comissões e reivindicações, citando casos já acontecidos. Ao final da primeira tarde de Conferência foi votado o regimento para as discussões dos eixos, a votação foi confusa, os erros de organização exaltaram os ânimos e atrapalharam o andamento do processo.A principal reclamação foi a falta de eventos pré conferência para preparar esses idosos para as ações esperadas. 
No segundo dia o evento teve início às 9h da manhã com um café da manhã oferecido a todos os participantes, na sequência uma apresentação do coral e o encaminhamento para os eixos, grupos de trabalho. Cada eixo foi discutido em uma sala, porém quando o público chegou para o debate foram notados alguns erros de organização que incomodaram e muito os idosos, primeiramente não foi disponibilizado ao início do evento a pauta, o regulamento e todo o material informativo em papel, esse chegou quando as votações já tinham sido iniciadas. Na realidade ele não foi de muita utilidade para a discussão, mas transmitiu maior segurança aos participantes. Outro problema foi a falta de papel timbrado para que fossem encaminhadas propostas e monções. Mas o fator que causou maior revolta aos idosos e aparentemente também a coordenadora Guimar Lopes foi o material “implantado” pelo sindicato dos idosos, que fez uma doação de pastas com papel rascunho e canetas para o evento e sem comunicar a coordenadoria colocou dentro dessas pastas material informativo e fichas de filiação. Esses fatores fizeram com que o início das discussões dos eixos atrasassem por mais de uma hora, irritando ainda mais os idosos presentes.
A apresentação e votação de propostas dentro do eixo foi complexa, muitas propostas apresentadas, várias tratando dos mesmos assuntos, propostas regionais que não poderiam ser colocadas ali e falta de conhecimento sobre quais propostas já foram aceitas e foram encaminhadas, quais existem e estão sendo implantadas e as que não existem e podem ser recebidas. Somente no eixo Participação política e social foram votadas mais de 50 propostas e aprovadas 30.Com o fim das discussões por eixo os participantes foram encaminhados para o almoço e na sequência voltamos ao auditório principal onde foram lidas e votadas as moções, apresentadas e votadas as principais propostas que serão encaminhadas pelos delegados para a conferência nacional e votados os delegados da sociedade civil e poder público que irão representar a cidade na conferência nacional. Ao final foram aprovadas cerca de 90 propostas que ainda serão revisadas pois muitas tratam de assuntos muito parecidos, mesmo assim algumas propostas não foram votadas por exigências de organização do horário.
A conferência foi uma ótima experiência profissional, pude conversar com idosos envolvidos politicamente para os quais tive a oportunidade de falar sobre o Projeto Primeiros Cliques, esses foram muito receptivos, indicando a importância da conscientização e participação política e social dos idosos com a facilidade da internet. Pude observar outros pontos importantes que a inclusão digital pode auxiliar a vida na terceira idade, uma das reclamações é a dificuldade de falar e principalmente ouvir ao telefone que faz com que alguns idosos tenham que se locomover até os locais de atendimento para marcar suas atividades, fator que pode ser resolvido na maioria dos casos via internet. A indignação com o atendimento de empresas e serviços também é alvo de preocupação “não temos a quem recorrer, se soubéssemos usar a internet mostraríamos para todo mundo o que acontece com a gente”. São muitas as especificidades desse público, o que fortalece o desenvolvimento de um trabalho voltado para eles e também é muito grande a necessidade e a vontade de aprender.

Primeiros Cliques

    
O Projeto Primeiros cliques é um programa de aulas sobre iniciação a informática que oferece dois modelos de apostila. Tratando o assunto com clareza, simplicidade e calma o foco do programa é passar os conceitos básicos de informática para que os alunos adquiram autonomia, segurança e vontade de interagir com o mundo virtual.

O atual contexto global exige cada dia mais a introdução dos indivíduos ao mundo virtual, podemos notar que a Prefeitura de São Paulo, por exemplo, oferece alguns serviços de atendimento ao publico exclusivamente através de seu site. Porém existem pessoas, e nesse caso falamos basicamente de idosos, que se sentem excluídas nesse contexto de novo mundo. São pessoas que tiveram pouco ou nenhum contato com a tecnologia e sentem necessidade da inclusão digital para melhorar suas relações pessoais e profissionais, além de superar obstáculos e trazer grande satisfação pela capacidade de aprender.

O curso tem 17 aulas e é dedicado especialmente aos idosos, já a oficina tem apenas dois módulos e é indicado ao publico em geral.

Gostou da ideia e quer aplicar na sua comunidade ou saber mais informações entre em contato pelo email taisdicrisci@gmail.com

Confira as apostilas virtuais:

Curso Primeiros Cliques
Oficina Primeiros Cliques
Oficina Primeiros Cliques Intermediária

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Lista de aniversário

  

Faltam apenas alguns dias para meu aniversário e eu particularmente ADORO fazer aniversário. Amigos, abraços, bolo, alegria, tudo fica mais bonito. Eu desejo pra mim mesma muita coisa boa, todas aquelas que a gente costuma desejar em aniversarios mas como sonhar não custa nada mesmo, eu fiz uma listinha de itens de terceira necessidade que fazem meu coraçãozinho consumista bater mais forte para o caso de alguma alma boa se interessar em me presentear nessa linda data. Hahaha

Venha abril, seja bem-vindo e traga muitas felicidades junto com meus 22 aninhos! 

=)